• Andreza Benatti

O melhor plano sempre vence - Mito 2

Atualizado: 3 de abr.

Será? Todo plano é uma obra de arte que não precisa de retoques ao longo do tempo?

Quando começamos a trabalhar em uma nova posição, em uma nova empresa, a primeira coisa que esperam que façamos é criar um plano. Um plano exequível e bem estruturado, que será apresentado à reunião dos acionistas no fim do ano, geralmente em novembro.


Se conseguirmos fazer o plano certo e integrá-lo ao plano da empresa, saberemos que os recursos foram alocados de maneira adequada, o momento e a sequência corretos foram definidos, a função de cada pessoa foi claramente definida e temos o suficiente das pessoas certas para preencher os papéis. O sucesso virá. No entanto, as coisas raramente acontecem do jeito que você espera. No mundo real, a mudança acontece rapidamente. A realidade é que a maioria dos planos, especialmente aqueles criados em grandes organizações, são excessivamente generalizados, rapidamente obsoletos e frustrantes para aqueles que são designados a executá-los.


Isso acontece porque damos muita importância ao planejamento. Acreditamos que, se traçarmos o plano certo e encaixarmos o plano de cada equipe no plano maior da empresa, poderemos confiar que nossos recursos foram alocados de maneira apropriada, que a ordem eu timing corretos foram estabelecidos, e a função de cada indivíduo foi definida com clareza e que temos um número suficiente de pessoas certas para preencher cada uma das funções necessárias. impulsionados por essa confiança, sabemos que basta incentivar as nossas equipes a dar ao máximo de si, e o sucesso será consequência. (Buckingham, M.)


Um elemento fundamental entre o planejamento e sua execução é fugacidade - a velocidade das mudanças no mundo atual. A sustentação de uma planejamento com base em dados históricos, não se sustenta durante um ano. Por exemplo, acredito que o tema "Metaverso" deva estar em um dos pontos importantes da estratégia de uma organização, seja de produtos físicos ou digitais. A Boing anunciou que construirá um avião no Metaverso, então, transações de compra/venda serão triviais neste ambiente e, recursos circularão de um nova forma no universo virtual. Então, no planejamento estratégico da empresa, é importante incluir o Metaverso, mas, para criar uma loja no Metaverso, os profissionais precisarão de dados para entender o que está acontecendo AGORA no Metaverso e, com base na análise de milhares desses dados (úteis), tomar a decisão de investir alguns centenas de dólares para a operacionalizar essa loja.

"Não é verdade que o melhor plano vence. A verdade é que a melhor inteligência vence."

Por isso, dissecar uma situação e transformá-la em um planejamento meticulosamente elaborado é um exercício de engajamento com um presente fugaz. O gasto de tempo e energia na preparação de um plano tão detalhado e minucioso exatamente o que o condena a obsolescência. Aquilo que chamamos de planejamento não se indica o caminho; só o ajuda a entender onde você se encontra AGORA. Ou melhor, se encontrava. um instante atrás. Não estamos planejando o futuro, estamos planejando o passado recente. (Buckingham, M.)


Portanto, mesmo que nos digam que o melhor plano vence, a realidade é diferente. Muitos planos, em especial aqueles criados em grandes empresas, são excessivamente genéricos, ficam obsoletos depressa e frustram aqueles a quem cabe executá-los. Muito mais produtivo é coordenar o esforço de sua equipe em tempo real, confiando na inteligência minuciosa e bem informada de cada integrante.


(OBS: Há um vídeo no canal do YouTube da Improova em que explico, como os Sistemas de Informação em tempo real foram criados, analogicamente (com pessoas transacionando informações), na década de 40.)


Quando compreendemos as características de um sistema de inteligência - dados precisos, em tempo real, ampla e rapidamente transmitidos, e apresentados em detalhes, de modo que os integrantes da equipe possam enxergar padrões e reagir a eles, decidindo por conta própria o que fazer -, em comparação com o sistema de planejamento.


O que esses tipos de sistemas de inteligência tem incomum é fazer a informação transitar por toda uma organização da maior velocidade possível, propiciando, assim, reações imediatas. O raciocínio subjacente é que as pessoas são sensatas e que, se tiverem acesso a dados precisos, confiáveis em tempo real sobre o mundo diante delas, invariavelmente tomaram decisões inteligentes.


Não é verdade que o melhor plano vence. A verdade é que a melhor inteligência vence.


E como chefe, o que você pode fazer para criar um sistema de inteligência para a sua equipe?


Primeiro, libere a maior quantidade possível de informação. Pense em todas as fontes de informação que têm alcance e disponibilize quantas puder a sua equipe, conforme a demanda. Os sistemas de planejamento restringem a informação aqueles que precisam saber. Um sistema de inteligência, não; eles liberam a maior quantidade possível de informação, o mais rápido possível. Portanto, não se preocupe muito, não começo, se a sua equipe vai compreender os dados ou se será capaz de utilizá-los. Se achar que há uma informação que ajudará a equipe a entender melhor a própria realidade, em tempo real, compartilhe-a. Incentive seus subordinados a fazerem o mesmo. Ajude-os a entender que compartilhar o que sabem sobre o mundo é, muitas vezes, vital. Garanta que a sua equipe esteja mergulhada em informações em tempo real o tempo todo.

Segundo, preste muita atenção em quais dados sua equipe considera úteis. Não quebre muito a cabeça tentando deixar os dados mais simples ou fáceis de analisar, nem mastigando-os para as pessoas ou costurando-os para mostrar uma narrativa coerente. O maior desafio hoje em relação aos dados não é torná-los compreensíveis - a maioria de nós tem que lidar com a complexidade o tempo todo, e somos bons em descobrir o que precisamos saber e onde encontrar. Não, o maior desafio em relação aos dados hoje é garantir a precisão - separar o que é ruído e o que é som. Portanto, esteja muito atento à precisão, fique de olho nas informações que naturalmente atraem seu pessoal; e aí, com o passar do tempo, aumente o volume, a profundidade e a velocidade desse tipo exato de informação.

Terceiro, confie na capacidade de sua equipe de analisar os dados. Os sistemas de planejamento retiram daqueles na linha de frente a capacidade de interpretar os dados, concedendo as a uns poucos eleitos, que vão analisar e decifrar os padrões para só então montar o plano e comunicá-lo. Os sistemas de inteligência fazem exatamente o contrário - porque a "inteligência" em um sistema de inteligência não recai sobre os poucos eleitos, e sim sobre a força interpretativa emergente de todos os integrantes da equipe na linha de frente. Não é você (chefe) o melhor analista; são eles.


Estar presente e apoiar o time constantemente, tb faz a diferença neste processo de sistemas inteligentes: faça isso através de check-in semanal ou reunião rápida semanal. O autor aponta que líderes que fazem check-in uma vez por semana têm, em média, aumento de 13% no engajamento da equipe; enquanto aqueles que fazem check-in apenas uma vez por mês notam uma redução de 5% no engajamento.


Apenas para não esquecer - 9 mitos:

1) As pessoas se importam para a empresa para qual trabalham

2) O melhor plano sempre vence

3) As melhores empresas estabelecem metas em cascata

4) Os funcionários mais completos são os melhores

5) As pessoas precisam de feedback

6) As pessoas são boas em avaliar as outras

7) As pessoas têm potencial

8) O equilíbrio entre trabalho e vida pessoal é fundamental

9) Existe uma coisa chamada “liderança”


Adaptado de M. Buckingham e A. Goodall, Nove Mitos sobre o Trabalho, Ed. Sextante, 2021.


Novos posts toda semana, sempre passa aqui no blog para saber mais. E Clica no link para fazer o Teste de Perfil Comportamental Profissional e, descobrir como se comportar da melhor maneira e mais fácil para você. Afinal, a ideia é usar os seus pontos fortes e matar esses mitos.

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