• Andreza Benatti

Salário não é o motivador principal, apena um fator "higiênico" no trabalho. Será?

Atualizado: Nov 15

Frederik Herzberg, provavelmente um dos escritores mais incisivos sobre o tema motivação, publicou um artigo inovador na Harvard Business Review, focalizando exatamente isso. Ele estava escrevendo para um público de negócios, mas o que descobriu sobre a motivação se aplica igualmente a todos nós.


Herzberg observa que a suposição comum de que a “satisfação no trabalho” é um grande espectro contínuo - que parte do muito feliz, em uma extremidade, e desse o caminho para o absolutamente triste, em outra extremidade - não é, na verdade, como a mente funciona. Invés disso, satisfação e insatisfação são medidas separadas e independentes. Isso significa, por exemplo, que é possível amar e odiar, ao mesmo tempo, o seu trabalho.


Deixe-me explicar. Essa teoria faz uma distinção entre 2 tipos diferentes de fatores: fatores de higiene e fatores de motivação.




De um lado da equação, há os elementos de trabalho que, se não forem feitos corretamente, nos deixaram insatisfeitos. Eles recebem o nome de “fatores de higiene”. Os fatores de higiene são coisas como: status, compensação, segurança no emprego, condições de trabalho, políticas da empresa e práticas de supervisão. Importa, por exemplo, o fato de você não ter um gerente para manipulá-la para fins próprios ou para responsabilizá-lo por coisas sobre as quais você não tem responsabilidade. Mas higiene causa insatisfação. Você tem que enfrentar e corrigir problemas de má higiene para garantir que não fique insatisfeito no seu trabalho.


Curiosamente, Herzberg afirma que a compensação é um fator de higiene, não de motivação. Como Owen Robbins, um diretor financeiro bem-sucedido e membro do conselho remuneração na CPL Technologies uma vez me aconselhou: “a compensação é uma armadilha mortal. O máximo que você pode esperar (como CEO) é ser capaz de postar uma lista com o nome o salário de cada funcionário no quadro de avisos e ouvir todos dizerem que “eu queria mesmo era ter um salário maior, mas poxa, essa lista é justa”.

Clayton, você pode achar que é fácil gerir essa empresa dando incentivos ou recompensas para as pessoas. mas se alguém acreditar que está trabalhando mais, mas está recebendo menos do que a outra pessoa, será como transplantar um câncer para a própria empresa. A compensação é um fator de higiene. você precisa entendê-lo corretamente. Mas tudo o que pode desejar é que os funcionários não fiquem com raiva uns dos outros e da empresa por causa da compensação.


Esta é uma visão importante da pesquisa de Herzberg: se você melhorar instantaneamente os fatores de higiene de seu trabalho não vai amá-lo de repente. Na melhor das hipóteses, só não vai odiá-lo mais. O oposto de insatisfação no trabalho não é satisfação no trabalho, mas sim uma ausência de insatisfação no trabalho. Eles não são a mesma coisa, definitivamente. É importante tratar os fatores de higiene, como, por exemplo, um ambiente seguro e confortável de trabalho, bom relacionamento com gerentes e colegas, dinheiro suficiente para cuidar da família: se você não tem essas coisas, vivenciará a insatisfação com o trabalho. mas isso por si só, não vai fazê-lo amar o seu trabalho, vão apenas fazê-lo parar de odiá-lo.


Gostou? Deixe seu comentário? Salário é realmente o itens mais importante? Ambiente ou clima organizacional contam também?


Trecho do livro: COMO AVALIAR SUA VIDA? Clayton M. Christensen, pgs 34 e 35, 1a edição, 2012.
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